07/11/2013

A síndrome do impostor

Na quinta-feira retrasada assisti a uma mesa-redonda sobre a expressão artística feminista na Califórnia nos anos 70. Por algum motivo durante a discussão foi mencionada a Síndrome do Impostor. Foi dito que quem  sofre dessa patologia considera não ser competente o suficiente para cumprir dadas tarefas. O tópico me interessou e pesquisei um pouco mais a respeito.

Foi a psicóloga estado-unidense Pauline R. Clance que introduziu o conceito em 1970. A Síndrome do Impostor é mais precisamente o fato de não conseguir atribuir nossos êxitos ao merecimento pessoal. Por exemplo, o aluno que tirar uma nota excelente justifica a mesma por fatores exteriores como a sorte (caiu um tema que ele havia particularmente bem assimilado) ou ajuda de terceiros, nunca às suas capacidades intelectuais. Pessoas que tem Síndrome do Impostor vivem no medo de serem "descobertas" ou seja, de que os que tanto a felicitam por seu bom trabalho descubram que na realidade suas competências são limitadas e que aquela realização em particular foi fruto do acaso e não vai se reproduzir (embora na realidade não haja nada o que descobrir).

Paradoxalmente, essa síndrome se manifesta principalmente em pessoas bem-sucedidas e que sempre obtiveram bons resultados em tudo o que empreenderam.

O problema do Impostor é justamente essa incapacidade de atribuição correta. Na psicologia, pelo que entendi, a atribuição é o vinculo que fazemos entre causa e consequência. O Impostor vai automaticamente ligar fatos positivos a fatores exteriores, temporários e casuais. Ao contrário, os fatos negativos serão atribuidos a fatores interiores, perenes e recorrentes.

A partir dessa sensação de baixa auto-estima, o paciente desenvolve duas estratégias :
1. estratégia de overgoing ; ele vai se preparar mais do que o necessário para qualquer prova (no sentido global) e atribuir seu êxito às longas horas de trabalho e esforço.
2. estratégia de undergoing ; o paciente não se prepara o suficiente para aquela prova e, se mesmo assim houver êxito, ele vai atribuí-lo à sorte, já que de qualquer forma bem sabe que não pode ser fruto do seu pouco trabalho.

Me identifiquei muito com a Síndrome do Impostor. Quando julgo não ter feito o melhor possível em qualquer tarefa, sequer gosto de ser felicitada e/ou recompensada. Até quando passei no vestibular com menção honrosa do júri, sem ter estudado o máximo que podia (estratégia de undergoing), pensei que fosse porque -pasmem- os resultados dos outros candidatos foram tão mediocres que minhas provas sobressaíram aos olhos do júri. Acho que existe uma sensação de culpa por não precisar desenvolver tanto esforço quanto outras pessoas para alcançar os mesmos resultados. Vivemos em uma sociedade onde o que prevalece é o trabalho duro, o "dê o melhor de si", então quando não temos a impressão de estar fazendo o máximo, nós, pobres Impostores, achamos que não merecemos ser recompensados.

A Síndrome do Impostor também é vinculada a um perfeccionismo obsessivo e um sentimento de superioridade mal dissimulado. O problema é quando o medo de falhar leva a não tentar. Quantas vezes deixei de fazer coisas porque achei que não daria conta ? Claro que isso acontece com todo mundo, mas no Impostor esse sentimento é extremo, por exemplo, já pensei em dar aulas de Português para os aderentes da associação onde pratico capoeira. Porém, nunca propus a ideia à presidente da associação porque ainda me pergunto se sou capacitada para isso ! No fundo eu sei que é claro que sou, mas é realmente um sentimento que transcende a razão e que te empurra para trás. Já tranquei um curso por causa disso.
Além do medo de falhar, tem também um medo de conseguir, mais dificil de explicar. 
Geralmente quem sofre desse mal admira personagens ilustres, e pensa que nunca fará tão bem quanto outros, que já estão fazendo. As vezes tento me convencer de que se quero realizar algo é so ir e fazer. Então fico repetindo "Vai e Faz oras !" mas logo fico pensando na multidão de coisas que tenho que aprender ou melhorar antes de fazer algo cujo resultado me satisfaça.
Os especialistas recomendam alguns exercicios para reduzir a ansiedade, a tendência à depressão e aumentar o bem-estar dos Impostores :
- treinar o espírito crítico a fazer atribuições apropriadas (por exemplo, listar diversas causas para uma derrota)
- tomar consciência das diversas facetas da nossa personalidade
- lembrar dos nossos pontos fortes e sucessos
Enfim, diversos estudos indicam que a maiora das pessoas que sofrem da Síndrome do Impostor são... mulheres.


Outra coisa legal que descobri fazendo essa pesquisa foi o prezi.com. é uma plataforma online para criar powerpoints dinâmicos e diferenciados. A partir de agora vou fazer todos os meus trabalhos la !


Fontes :